O Novo Endereçamento IPv6

Novo sistema de endereçamento Ipv6

O Novo Endereçamento IPv6

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IPv6

Antes de falarmos do novo sistema de endereçamento de redes IPv6, precisamos conhecer um pouco mais sobre as origens do IP.

Como já é de conhecimento de todos a internet é a maior de todas as redes. Construída sob um modelo estrutural por camadas, que foi baseado no modelo referencial OSI, isto lhe deu suporte às expansões futuras e a não ficar limitada à uma época.

A internet que conhecemos hoje começou a ser desenha no final dos anos 60 pela agência de pesquisas avançadas do departamento de defesa norte americano, o DARPA, e era chamada de ARPANET. Foi nessa época que surgiu o TCP/IP. O intuito era construir uma rede que fosse capaz de se comunicar por diversos caminhos, de forma rápida e que encontrasse o melhor caminho possível entre dois locais, evitando assim que um ataque à uma base, em uma possível guerra nuclear, pudesse interromper as comunicações.

Algumas versões do TCP/IP foram desenvolvidas, mas a que mais atendeu as necessidades foi a TCP/IPv4. A forma como o TCP/IP foi projetado garantiu seu crescimento quase que infinito, não sendo preciso redesenhar toda sua estrutura, nem ficar preso à um determinado fabricante, a cada necessidade de crescimento.

O TCP/IP faz parte de uma pilha de protocolos que estão divididos em 4 camadas. O nome TCP/IP se deu devido aos nomes dos mais importantes protocolos da pilha. O TCP, que é o responsável pelo transporte das informações e o IP, responsável pela interconexão dos hosts (hosts são quaisquer dispositivos conectados à rede).

Na camada 2 da pilha do TCP/IP está o protocolo IP, que por sua vez, utiliza um sistema de identificação/numeração (chamado de endereço IP) que identifica as redes e os hosts, o qual garante que qualquer host espalhado pelo mundo possa ser encontrado.

Os endereços IP´s foram projetados para expansões, porém, quando foram criados, em 1969, não se imaginava que o crescimento da internet e das tecnologias de comunicações pudessem chegar onde chegaram. Basicamente, a estrutura dos IP´s foi criada com 32 bits de comprimento, dividido em duas partes, uma para identificar as redes e a outra para identificar os hosts. A quantidade de bits de cada parte dependia do tamanho das redes, e para resolver isso, foram criadas 5 classes de endereços. O comprimento de 32bis nos dava um total de 232 IP’s, o que dá um total de 4.294.967.296 de endereços IP´s disponíveis. Isto parecia muito para época. Além de que desse total uma boa parte foi retirada para fins de testes, o que reduziu o total de números ainda mais.

Em 31 de janeiro de 2011 a IANA, órgão responsável mundialmente pela distribuição dos endereçamentos na internet, entregou os últimos blocos do IPv4 para a região Ásia/Pacífico, com distribuição igualitária dos blocos restantes para todas as regiões, incluindo a da América Latina e Caribe (LACNIC), da qual o Brasil faz parte. O que isto significa? Que se esgotaram TODOS os IP´s que estavam disponíveis. Se você quisesse um bloco de IP público (válido na internet) exclusivamente seu, não teria. As empresas que quiserem fazer uso de IP’s próprios dependem dos que ainda estão disponíveis nos provedores da sua região.

Previsão de esgotamento de Ipv4, aqui na América Latina, até 2020 nos RIR´s (Registro Regional da Internet).

http://www.potaroo.net/tools/ipv4/plotend.png

Figura 1 – Fonte: http://www.potaroo.net/tools/ipv4/plotend.png

Com a evolução das novas tecnologias, da chegada da IOT (do inglês, internet of things) ou “internet das coisas”, não são apenas os computadores e impressoras que estão conectados à internet, mas também os smartphones, relógios de pulso, tevês, máquinas de vendas, geladeiras, fogões, câmeras de vigilância, PABX e mais uma centena de tipos de dispositivos. Com tudo isto conectado à internet os IP’s ficaram escassos, o que forçou o uso das tecnologias como o NAT (network address translation), o qual permitiu o uso de milhões de dispositivos atrás de apenas um único IP público. Mas isto não resolve totalmente o problema da mobilidade e da escassez de IP´s.

Para resolver esse problema foi padronizado em 1998 o IPv6. Um novo sistema de endereçamentos IP´s, muito mais robusto, com muito mais endereços disponíveis e mais segurança.

Os IPV6´são compostos de 128 bits, contra 32 bits do IPv4. Isto nos dá um total de 2128 IP´s possíveis ou 340 undecilhões, isto equivale a mais ou menos, 665.570.793.348.866.943.898.599 para cada M2 da superfície terrestre ou 56 “octilhiões” de endereços por ser humano na Terra (considerando-se a população estimada em 6 bilhões de habitantes). Acho que agora dá né? A menos que queiram colocar IP’s em cada célula humana.

A estrutura de divisões em duas partes também continua, porém com características diferentes para acomodar as redes e os hosts.

Os provedores já estão disponibilizando para seus clientes endereços IPv6, e um trabalho constante no Nic.br tem sido feito para ajudar na transição do IPv4 para IPv6. O choque maior está em se acostumar com os gigantescos números IPv6 (2001:bc3:80:fa:ca:ba:850:340), mas isto é questão de tempo.

Entre janeiro e março deste ano, o Brasil cresceu em 29% o nível de adoção de IPv6 e o tráfego vem crescendo a taxas superiores a 50% ao ano segundo a Akamai. Segundo o SindiTelebrasil, o Brasil já ocupa o 9º lugar no mundo em adoção de IPv6 na internet.

Veja abaixo o gráfico de crescimento da utilização de IPv6 no Brasil nos últimos 12 meses.

Figura 2 – Fonte: http://rosabaya.ceptro.br/ipv6-measurement-charts/

As fornecedoras de telecom já adaptaram 100% de suas redes móveis para a oferta do IPv6 aos clientes. Eles já fizeram a sua parte, cabe agora às empresas começarem a planejar a implantação gradativa do IPv6 em seus ambientes. O uso do IPv4 ainda deve continuar por alguns anos. À coexistência dos dois endereços chamamos de pilha dupla IPv4/IPv6. Isto dará tempo às equipes de TI de prepararem suas aplicações e equipamento de rede, para o futuro desligamento definitivo do Ipv4.


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